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Alice in Borderland – três temporadas que poderiam ser duas

Existe uma mania muito feia que é a de mexer no que está quieto, e esse foi o principal erro cometido contra a saga Alice in Boarderland, que tem uma primeira temporada exemplar, segue com muitos pontos altos no segundo ano e, em uma tentativa desesperada de fazer dinheiro, entrega uma terceira temporada insossa, sem alma e que tira o brilho dos protagonistas Arisu e Usagi.

O que mais de encanta na primeira temporada é a construção deste mundo e a compreensão instantânea de seus jogos cruéis, me lembro por exemplo, de ficar desesperada ao ver os jogos de copa e de como foi triste, porém muito corajoso, o que aconteceu com os melhores amigos de Arisu. Inclusive, esse universo só funciona por conta do excelente trabalho de construção de personagens e da relação entre eles, é isso o que nos faz entender o motivo do protagonista desistir da própria vida e ficar dias deitado no asfalto. É isso o que também nos leva a compreensão do porquê ele é tão leal e protetor com os que caminham ao lado dele.

Enquanto acho a primeira temporada redondinha, a segunda já me parece mais desnecessariamente inflada. Eu amei, por exemplo, o jogo de copas do qual vimos Chishiya participar, mas eu precisava mesmo que outros jogos como o da balança e o dos containers demorasse tanto assim para acabar? O mesmo pode ser dito dos personagens que insistem em ficar vivos mesmo depois de levar tiro, facada, pegar fogo… Enfim, isso me incomodou, mas depois de certa altura, eu decidi abraçar- e no final tive até uma explicação interessante sobre isso. O acerto da temporada foi dar mais protagonismo para Kuina, Ann e Chishiya, ótimas adições ao grupo.

Já na terceira temporada, depois de todo o prolongado retorno de Boarderland e a descoberta de que todas as pessoas de lá estavam em uma espécie de EQM, temos todo o peso dessa história sendo retirado, quando os casados Arisu e Usagi retornam para os jogos por motivos bem diferentes e ao invés de entendermos mais sobre a relação deles e sobre os seus traumas, só temos que aceitar que eles estão juntos, muito apaixonados e que Usagi o abandonou. Isso porque ainda não falei sobre Ann, uma peça fundamental da história, que Arisu só “usa” e depois deixa internada.

Apesar dos pesares, a terceira temporada não foi de todo ruim, eu gostei da inserção da personagem Rei e amei o jogo do trem, assim como o primeiro reencontro de Arisu e Usagi nele. Ótimos momentos e muita adrenalina!

No geral, eu acho a série extremamente competente no que se propõe, mas acredito que eles perderam a mão no final. Alice in Boarderland até que finaliza bem, mas acabaria melhor ainda se tivesse se contentado com o desfecho da segunda temporada.

Mas e sobre a possibilidade de renovação? O final fica em aberto e acho que assim como Round 6, abre margem para um spin-off estadunidense, mas definitivamente não precisamos disso.

Alice in Boarderland está disponível na Netflix.

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