Impressões: Saint Seiya – Knights Of The Zodiac

Seiya, o Cavaleiro de Pégasus, é um dos guerreiros que juraram proteger a Deusa Athena a todo custo

A controversa adaptação em 3D de Cavaleiros do Zodíaco ganhou sua continuação pela Crunchyroll. Confira as impressões de quem cresceu assistindo a obra original!

Quem me conhece sabe de todo o carinho e admiração que tenho por Cavaleiros do Zodíaco. A icônica obra de Masami Kurumada é indiscutivelmente uma das mais importantes no que diz respeito ao extenso mundo dos animes e mangás, contando com uma legião de fãs que vem ajudando a manter a chama da franquia acesa. Assim sendo, após o lançamento de spin offs como Ômega e Soul Of Gold que, com exceção de The Lost Canvas, não conseguiram obter êxito, os admiradores da obra seguem na expectativa de algo novo que faça jus a obra original.

Portanto, foi lançada em 31 de julho desse ano, pelo streaming Crunchyroll, a segunda temporada da adaptação em 3D inicialmente disponibilizada pela Netflix entre 2019 e 2020 Saint Seiya – Knights Of The Zodiac, cuja continuação aborda o lendário arco da Batalha das Doze Casas. É possível que a fusão entre Crunchyroll e Funanimation fizeram a Sony – proprietária da Crunchyroll – decidir pela migração da animação para o catálogo da plataforma de animes. Segundo a empresa, a união de ambas as marcas “visa fortalecer o mercado de animes e agradar os fãs de todo mundo”.

Antes de mais nada, é preciso pontuar que, por mais que essa temporada tenha sim seus pontos positivos, NADA irá superar o fato de terem transformado o Shun de Andrômeda em uma mulher. Algo que, além de não estar condizente com a mitologia dos animes e mangás, onde nós tínhamos as amazonas como a Marin de Águia, a Shina de Cobra e a June de Camaleão, só serve para reforçar estereótipos. Quer dizer que não pode mais existir um homem com a sensibilidade do Shun? Não será surpresa se o mesmo também ocorrer com outros personagens, como o Afrodite de Peixes, por exemplo.

Quando uma flecha assassina atinge seu peito, Seiya e os Cavaleiros de Bronze têm apenas doze horas para subir até o Santuário e derrotar os doze lendários Cavaleiros de Ouro

PONTOS POSITIVOS

Ademais, falando dos pontos positivos, um dos principais é o acabamento das armaduras, sobretudo as de ouro; sem dúvida, esse é um elemento da animação que consegue encher os olhos de quem assiste, onde ao longo das cenas podemos ver todos os seus detalhes, como reflexos e brilho. Outro fator que merece destaque é a ambientação dos cenários, especificamente nas doze casas, que aqui foram transformadas em verdadeiros palácios, onde fora vemos muros de concreto muito realistas que tem forte inspiração nos tempos medievais, e dentro temos lindas decorações de tapetes e pisos, assim como ocorreu no longa A Lenda do Santuário. Na primeira animação esse é um ponto que, ao meu ver, não foi tão bem como executado como na nova adaptação.

FALANDO SOBRE A HISTÓRIA

Na saga clássica, temos um enredo onde o Saga, cavaleiro de Gêmeos, usurpa o lugar do Mestre Ares, com a intenção de enganar o santuário e se tornar o governador do nosso mundo. Quando Aioros de Sagitário o flagra tentando assassinar uma Saori ainda bebê, a reencarnação de Athena, Saga consegue enganar os demais cavaleiros de ouro, os fazendo acreditar que Aioros é um traidor, que Saori é uma impostora e que a verdadeira reencarnação de Athena vive isolada em seu salão no santuário. Já nessa nova adaptação, temos o conceito da “armadura de taça”, que acredita-se prever o futuro. Assim sendo, Saga, já ocupando o lugar do Mestre Ares, reúne os cavaleiros de ouro para dizer que Athena deve ser morta pois a armadura de taça revelou que a reencarnação da deusa está predestinada a trazer caos para a Terra.

Em suma, eu até achei válida a tentativa de contar a história através de outros pilares. Entretanto, o propósito da existência de um cavaleiro é a defesa da deusa Athena. Quando Saga anuncia que terá que mata-la, todos os dourados parecem aceitar sem questionamento algum, o que não tem coerência, uma vez que todos são soldados da deusa. Dessa forma, quem vê a cena espera no mínimo um choque ou uma forte reação de algum dos cavaleiros, sobretudo os mais sábios como Shaka de Virgem e Aioria de Leão, mas isso não ocorre.

PONTOS NEGATIVOS

Acredito que este novo enredo pode até ser melhor trabalhado até o fim da temporada, mas em um primeiro momento, vem a ser um dos pontos negativos da adaptação. Ademais, outro fator negativo é a forma como as cenas são executadas: no original, embarcamos em músicas marcantes, preparação para os golpes, dentre vários outros momentos épicos. Aqui, além de se ter uma ausência de clímax em cenas com contexto que pedem por uma intensidade, não temos o embalo das boas trilhas. E o pior: tudo acontece muito rápido! Por exemplo, na luta contra Aldebaran de Touro, não existe o ótimo flash onde o Seiya, guiado por sua mestra Marin, aprende a técnica da bainha, que o ajuda a conseguir passar pela primeira das doze casas.

CONCLUSÃO

Eu realmente não tenho como mensurar o carinho que sinto pelo universo criado por Masami Kurumada. Nós que crescemos com os cavaleiros ouvimos muito do fandom que temos que abrir nossas mentes e procurar apoiar o que sair de novo, para que a franquia siga sendo lembrada e venha a atrair um novo público. No entanto, penso que esse pode até ser um argumento aceitável, mas é INEVITÁVEL que um manchetossauro como eu consiga aceitar todas as nuances dessa animação. Enfim, sigo na esperança, ainda que muito baixa, de ver o live action, previsto para o próximo ano, ou a HQ francesa que está para ser lançada, dê aos Cavaleiros do Zodíaco o prestígio que eles verdadeiramente merecem!

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