Rebelde: uma experiência nostálgica, problemática e muito divertida

Assistir 440 episódios de Rebelde foi o oposto de desafiador, aliás, eu comecei em fevereiro e terminei agora em setembro apenas porque posterguei o fim: estava realmente realmente muito investida na novela que tanto definiu minha infância.
Vamos lá, quando eu era criança comecei a acompanhar a novela apenas na terceira temporada e depois, em outras duas tentativas, comecei na primeira temporada e parei ali no começo da segunda, quando temos uma barriga gigante por causa da ilha na qual Mia e Miguel ficam presos (e odeio essa parte da história), mas essa é a primeira vez que posso dizer com propriedade que assisti a obra por completo e apesar da vergonha alheia em muitos momentos, posso afirmar que faz muito sentido Rebelde ter sido o sucesso que foi!
1ª temporada

Aqui conhecemos os personagens e vemos o pior de todos eles! O começo é realmente desafiador e amargo em muitas questões que hoje reconhecemos como erradas, temos Diego e Miguel sendo as piores representações de homens do universo (violentos e grossos), com Giovani chegando logo atrás, além de muita gordofobia relacionada a Celina. A objetificação das demais alunas também é gigante, mas ao meu ver, isso é algo que só melhora um pouco ali na terceira temporada.
Gosto como a temporada é corajosa por mostrar Joaquim vendendo drogas e outros alunos entrando na pira dele, assim como todo o arco envolvendo Diego e Paola (virgindade e expectativas de masculinidade), eu odeio, mas acho necessário.
Como outros aspectos positivos, temos a formação da banda, a trama do aniversário de Roberta e Mia, a aposta do Diego e a melhor das melhores viagens: a do Canadá. Eu amo também a troca de casais que acontece ali, ainda mais pelo fato daqueles serem “os casais certos” da vida real. Para finalizar, preciso dizer também que o professor Henrique e a vilania da Pilar são ótimos acertos!
Algo que vale mencionar: Rebelde é o melhor dos CDs da banda, não tem uma música ruim! E “Futuro Ex-Novio” é perfeita.
2ª temporada

Apesar do começo chato, essa é sem dúvidas a minha temporada preferida. É nela que temos a chegada de Santos e Rocco, além da introdução de Lola (insuportável), Bianca (um anjo na terra), Luciano (merecia mais tempo de tela) e Anita (perfeita), fazendo a trama se movimentar e dando mais destaque para personagens como Lupita, Vick, Josi e Tomás. Além disso, também temos a eleição presidencial que divide a escola toda entre Diego e Roberta e, sem dúvidas, é a minha trama preferida de todas.
Para embalar tudo isso, ainda temos a “troca das bandas” e a aprentação musical para caridade, que leva também para o lançamento de Aun Hay Algo, que eu vi em uma das aberturas da novela como se fosse o lançamento do clipe e fiquei totalmente emocionada.
O final também é ótimo, temos episódio de Natal, um começo de união entre Mia e Roberta e a volta do Nico, desestabilizando completamente a Lupita.
Minha nota sobre essa temporada é que foi nela que eu finalmente cheguei a conclusão de que o melhor trio feminino que existe é Lupita, Roberta e Josi, não existe nem discussão.
*PS: a objetificação continua pesada aqui, assim como a agressividade do relacionamento entre Roberta e Diego, mas o que mais me incomoda são Gastão e Mia.
3ª temporada

Na terceira e última temporada é nítido que a novela já sabia do tamanho que tinha, então começou a ficar mais “politizada”. É neste ano que temos uma abordagem mais séria sobre gravidez na adolescência, violência doméstica, dependência de drogas, uso de preservativos, a vulnerabilidade de pessoas orfãs e a importância do apoio aos mais necessitados. Ao meu ver, os momentos mais memoráveis são Roberta descobrindo sobre Reverte, Mia conhecendo sua mãe e a ligação extremamente forte que surge entre as duas, minha relação preferida de toda a novela.
Outra coisa que eu amo aqui é o retorno de Henrique, assim como toda a trama envolvendo Diego e seu pai, que no final é de partir do coração mesmo. Gosto também de como temos mais destaque para Celina e vemos a aproximação de todas as garotas, o que acaba em partes com a uma rivalidade feminina gigante que existia na trama.
Confesso que me incomoda um pouco toda a trama do Miguel perdendo a memória e o envolvimento dele com a Sabrina, mas não é algo que me ofende tanto assim.
Com tudo isso dito, quero fazer um ranking:
Temporada preferida: 2ª temporada
Personagem preferida: Roberta Pardo
Relação preferida: Mia e Roberta
Casal preferido: Roberta e Diego
Mereciam mais destaque: Anita e Bianca
Trama mais desnecessária: irmão do Marcelino
Melhor trama: Eleições para presidência
Melhor música: Futuro Ex-novio
Melhor pai: Reverte
Melhor mãe: Alma
Melhor viagem: para o Canadá
Melhor coisa da novela: algumas piadas continuam muito boas, a dublagem é primorosa e o forma como eles usam fofocas para causar problemas é primorosa!
Rebelde está disponível na Netflix e, se você amava a novela quando era criança e consegue lidar bem com vergonha alheia, super recomendo que assista.