The Moment: quando um mockumentary se conecta emocionalmente com você

Eu precisava assistir The Moment no cinema, isso era mandatório.
Tenho vivido minha era BRAT há dois anos e sigo achando esse um dos melhores álbuns dos últimos tempos (além de me manter acordada no trabalho), então estava ansiosa para ver esse “encerramento” criativo que compõe a trajetória de uma das minhas artistas indies preferidas: Charli XCX.
A experiência The Moment no cinema foi fantástica, mas confesso que esperava mais do aspecto sensorial desta obra, com pelo menos mais um ou dois momentos visualmente catárticos como o começo do filme. No entanto, o que não se expandiu de forma imagética, me conquistou em outras esferas.
Além de amar o fato da Charli ter feito deste filme um exercício criativo, meio biográfico e até meio defensivo sobre sua carreira e última era, eu gosto como o filme se utiliza do constrangimento para imprimir o humor autodepreciativo da cantora. Inclusive, as piadas sobre Coldplay, “cocaína metafórica” e em relação à estrura de show da primeira turnê mundial me pegaram demais.
Outro aspecto que fica nítido aqui é uma insegurança extremamente relacionável que vem da artista. É interessante a discussão sobre BRAT ser maior que ela, gerando uma pressão absurda para matar o projeto e um desejo gigante de continuar colhendo frutos com ele, o que se mistura com o medo do controle criativo e a sensação de falha constante, mesmo quando é nítido que você está “ganhando”.
The Moment já tinha me ganhado desde o começo dos ensaios da Charli, mas me ganhou mesmo a partir do momento em que a vemos viajando para IBIZA e de repente as coisas fogem do controle. Essa ansiedade, a insegurança palpável, a autossabotagem, o despero por sentir algo diferente de angustia, o medo de parecer patética… Foi aí que o filme conversou diretamente comigo e saiu do aspecto de entretenimento preenchendo todos os meus sentidos.
Quem nunca se sentiu como a Charli pendurada no ar enquanto canta I Might Say Something Stupid?
Em relação ao final da obra, além de uma bela alfinetada, ainda deixa bem claro como é díficl fugir das garras da indústria e que grande verdade, não é?! Cause it’s a bittersweet symphony this life.