A Longa Marcha: personagens que fazem a história andar

Fazer um filme que se passa praticamente todo durante uma caminhada me parece desafiador, pelo menos foi o que eu pensei assistindo A Longa Marcha, do Francis Lawrence, diretor que eu já admiro muito pelo trabalho com Jogos Vorazes. Imagine só: uma hora e meia de filme, ações praticamente repetidas, muitos jovens em tela e o foco todo praticamente no diálogo… Para que um filme desses não perca a sua atenção, tem que ser muito bom. E esse realmente é!
Uso muito minha mãe como parâmetro nesses casos, aliás, já falei sobre isso quando escrevi sobre Ilha dos Cachorros. Quando eu percebo que ela está totalmente fixada em um filme que só está passando na televisão de casa, sem o mínimo contexto e trazendo pautas que eu sei que não são do interesse dela, tenho a constatação de que estou realmente assistindo uma boa obra.
Ao meu ver, o que mais faz diferença nessa história é como todos os personagens em cena nos despertam ao menos um pouco de curiosidade, nós simpatizamos com esses desconhecidos com muita rapidez e sentimos suas mortes da mesma maneira. É extremamente bem pensado e executado também. Nesse sentido, posso dizer com certeza que as atuações e as ambientações (estradas desertas, que parecem estar abandonadas e trazem um senso de desesperança) também fazem toda a diferença na hora de torna A Longa Marcha um filme realmente impactante.