O Aniversário: a máxima das eleições de 2018

Eu me lembro da sensação horrível que surgiu após o resultado das eleições de 2018, mas muito antes disso, algo já estava diferente e eu diria que até indigesto: as pessoas passaram a ver política como futebol, discutiam intensamente, sustentavam pensamentos extremamente extremistas e não tinham mais medo de falar atrocidades.
Isso transformou o Brasil e mostra como nossa democracia ainda é muito frágil, aliás, deixa evidente como o ser humano ainda tem dificuldade em pensar para além do que beneficia a si mesmo. E é por conta de toda essa bagagem, que O Aniversário se torna um filme tão palpável, porque seu terror e crítica já estão embrenhados na nossa sociedade.
Foi um filme complicado de assistir porque me coloquei no lugar da mãe da família e passei muita raiva junto com ela, foi sufocante e é tão real, que me recordei dos vários momentos em que eu tive que engolir as merdas que as pessoas dizem só para manter o diálogo civilizado.
Eu não sei, talvez esse texto não seja um comentário sobre o filme, mas sim sobre como estou me sentindo agora. Sobre todas as vezes que agi como o pai e ignorei o máximo que dava, até ver que precisava me posicionar independentemente do ambiente; ou que agi como as filhas, que cada uma a sua maneira buscam estar no controle da situação usando um senso de julgamento gigante e muito afiado, o que as faz perder tudo o que amam; e também, quantas vezes eu fui o casal de vilões, agindo de forma passiva-agressiva para conseguir o que queria, usando a raiva do outro como arma.
O filme é bem legal, mas pensando no contexto atual, se tornou surreal de bom e eu acho que vale ser assistido por todo mundo. Quem sabe assim, as pessoas dão uma refletida.
O Aniversário está disponível na Prime Video.