Pinóquio por Guillermo del Toro é sombrio e emocionante

A obra é um projeto de 14 anos do Guillermo del Toro

A história de Pinóquio nunca foi uma das minhas preferidas, parte porque eu sempre achei ela meio bizarra e outra porque não curto muito obras sobre bonecos que ganham vida- algo que também me assusta. No entanto, esse ponto que eu não gosto faz todo o sentido aqui, se encaixa perfeitamente no universo de Guillermo del Toro, já que o diretor tem uma visão única e bem sombria sobre as narrativas que conta.

Nesta versão, que é a mais original que já vi, acompanhamos Pinóquio na Itália de 1950, que na época, era comandada pelo fascismo e recebia ataques de bombardeios, sendo que um deles, mata o filho de Geppetto. Sofrendo com a perda, o carpinteiro esculpe Pinóquio, que ganha vida através de uma piedosa Fée du Bois.

Diferente dos contos de fadas, vemos um Pinóquio mais travesso, questionando os pedidos de Geppetto, respondendo mal aos fiéis da igreja e desobedecendo o pai com frequência, algo mais latente e real, que passa a sensação de que estamos acompanhando uma criança de verdade.

Outra mudança aqui é a abordagem crua e real do facismo, mostrando como a guerra é cruel, que não se importa com seus participantes, que mata a todos e destrói tudo o que vê pela frente. Nesta aventura, vemos isso no personagem Pavio, que é forçado a ser um soldado, e também com o Pinóquio, que por ser “imortal” quase é transformado em arma.

Os destaques positivos continuam com a escalação dos dubladores e a brilhante narração do Grilo Falante, de Ewan McGregor. Também merecem nossa atenção toda a estética, as músicas e o fato desta obra ser um projeto de 14 anos do Guillermo del Toro, algo que ganha ainda mais a nossa estima quando assistimos ao documentário sobre a produção do filme, também disponível na Netflix.

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