Descascando mais camadas de Glass Onion

Glass Onion é divertido e surpreendente, como um bom romance de detetive

Por: Bárbara Pinto

Okay que o filme pode ter parecido algo ofensivo no começo, na verdade isso seria bem ruim, mas não foi o caso, diferente do primeiro que não aborda o personagem do Daniel Craig, Benoit Blanc, de forma mais profunda e meramente pessoal, esse já faz isso de forma bem orgânica, dito isso, a sexualidade e senso de humor é bem empregado aqui, tornando o filme algo muito gostoso de se assistir.

Benoit Blanc, o detetive que desvenda o mistério de “Entre Facas e Segredos”, um filme que deu umas três piruetas de plot, e me enganou, o que eu aprecio em mistérios- um gênero muitas vezes batido que não faz nada de surpreendente-, então quando o fizeram nesse eu amei, mas apesar disso o filme tem um plot bem no estilo do jogo “Detetive”, gostosinho de assistir, mas bem simples, fazendo sua segunda metade não ser tão legal assim.

Nessa nova aventura em “Glass Onion”, ele volta sendo convidado a uma ilha particular para participar do jogo de detetive de um ricaço, Miles Bron que é interpretado por Edward Norton, além deles mais sete pessoas estão envolvidas. O convite para a encenação foi aceito por Blanc estar entediado em casa, enquanto seu marido cozinhava, ele jogava online com amigos jogos de dedução, esse estilo de vida e sentimentos que pegou todos nós na pandemia.

Isso o leva a aceitar o convite, gostaria de elogiar inclusive o fato do filme usar máscaras nos personagens não só pelo momento em que vivem, como também para pontuar como são, já que Birdie Jay (Kate Hudson) vai com uma máscara de renda, já que ela prefere ser bonita do que estar segurança ou seguir regras, típica pessoa que faz declarações racistas no Twitter com alegada ignorância e faz festas em meio a pandemia. E além dela temos Duke (Dave Bautista) e sua namorada, Whiskey (Madelyn Cline), um cara que vive no porão da mãe depois de adulto, faz vídeos para o Youtube defendendo o direito dos homens e anda armado, e claro que não usa máscara porque a pandemia é uma grande histeria.

Em comparação com o primeiro, eu amei muito mais esse filme, a trama não tenta ser incrivelmente inteligente, nem mesmo os personagens são, apenas observando o mesmo que nós, temos dicas sendo dadas aos poucos, mas mesmo assim podemos ser enganados, tanto pelos ricaços, quanto pelo Blanc.

Inclusive o próprio Blanc esta muito mais carismático, você pode notar como ele chega a parecer idiota de tanto que ele parece levar tudo ali na bricadeira, o que era para o caso, mas ao longo do filme, ele vai ficando mais sério e talvez até preocupado pela situação em que todos se encontram, e até o fim do filme é dificil saber se ele tem ou não tudo sobre controle.

Gostei tanto desse filme, que nem sei se é necessário falar sobre coisas mais técnicas, como a fotografia e o cenário incríveis, e a progressão dinâmica dos atos, para quem já viu o primeiro ou mesmo que não tenha visto, enfim, acho que todo mundo deveria conferir esse filme, ele é divertido e surpreendente, como um bom romance de detetive.

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