Drive My Car apresenta ao mundo um cinema encantador 

Drive My Car
É impossível não se sentir um passageiro nesta viagem

Drive My Car é um filme que eu provavelmente nunca assistiria se não estivesse indicado ao Oscar e por um simples motivo, o longa provavelmente não chegaria até um público global, em especial um que não consome tanto cinema fora do circuito americano.

Ao me deparar com suas 3 horas confesso que fiquei desanimada, mas isso logo se reverteu quando captei a história do filme, que tem um início mais tranquilo e depois engata numa espiral de sentimentos intensos de culpa, luto e endeusamento de outros seres humanos, o que nunca acaba bem.

Em Drive My Car conhecemos o ator e produtor Yusuke Kafuku, que é convidado a encenar O Tio Vânia de Tchécov num festival de teatro em Hiroshima. No carro em que se desloca, conduzido pela jovem Misaki, Kafuku confronta-se com o passado e o mistério sobre a sua mulher, Oto, que morreu subitamente levando consigo uma conversa que não foi encerrada.

Gosto de como o filme aborda a personagem de Oto, que passa dessa aura mística e sedutora para apenas um ser humano que sofreu e encontrou conforto na criação de histórias durante o sexo. Oto se faz presente durante todo o filme e vai aos poucos sendo entendida por seu marido e por nós.

Outra coisa cativante são os momentos em que vemos o carro, essa figura central da história, na estrada. Tanto através dos diálogos no interior, quanto nas imagens do exterior, as cenas com o carro são espetaculares e me deixaram calma, quase como se eu fosse uma passageira desta viagem que leva à autodescoberta e ao perdão.

A fotografia do filme é uma das responsáveis por nós encantar neste aspecto, pois são lindos os takes, a continuação das cenas da viagem- por entre os túneis e estradas- além do cuidado com a coloração e a escolha dos locais filmados.

Aliás, uma dica é procurar contexto da peça de Tchécov antes de assistir ao filme, pois o vi sem saber de nenhum detalhe e sei que perdi algumas questões importantes. E é assim que termino a indicação de Drive My Car, longa que com toda certeza ganhará o prêmio de Filme Internacional no Oscar 2022.

Até a próxima Freaks!

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