Escuta, Formosa Márcia nos transporta para uma realidade complicada e honesta

A leitura da HQ é rápida e intensa

Algumas histórias possuem força absurda, tem o poder de nos tirar de onde estamos e nos fazer sentir, agir e enxergar o mundo de acordo com determinado personagem. Por isso, Escuta, Formosa Márcia se tornou uma leitura difícil, daquelas que tira o conforto e joga na nossa cara a realidade de muitos cidadãos.

O quadrinho de Marcello Quintanilha é vencedor dos prêmios Angoulême, Rudolph Dirks e Jabuti, sendo que para mim, outro de seus grandes méritos é possuir nacionalidade brasileira, trazendo com força a beleza e a feiura que existe em nosso país, tudo isso, com muita poesia.

Na HQ, conhecemos Márcia, mãe solo, nascida e criada em uma comunidade do Estado do Rio de Janeiro. Nossa protagonista é uma enfermeira que vem travando uma verdadeira batalha doméstica para disciplinar sua filha, a insubordinada (e muitas outras coisas) Jaqueline.

Em sua narrativa agridoce, pautada na fé de uma mulher que passa a se ver como formosa e necessária, vemos Márcia ganhando coragem conforme leva grandes tombos da vida, alguns inclusive, causados propositalmente por sua filha. E está aí um relacionamento bem feito, pois apesar de ser impossível gostar de Jaqueline, nós entendemos os motivos pelos quais sua mãe não desiste dela.

A HQ é linda em sua trágica história, nos seus diálogos realistas, nos traços coloridos, nos momentos musicais e na mensagem que transmite, pois sim, você é formosa Márcia.

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